Páginas

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Dias nublados, corações também.


 



Pessoalmente acho o tempo frio perfeito, não curto calor, não gosto do sol. Nada pessoal, mas é que o calor me incomoda me enfraquece e me faz sentir desconfortável.
Gosto dos dias frios, esses sim me animam, mesmo que uma das maiores vontades seja ficar na cama, o frio me alegra. O tempo nublado me deixa feliz, posso caminhar horas e horas sem me sentir incomodado como comumente acontece. Durante a semana, acordar cedo infelizmente é uma obrigação , sair de casa e sentir cheiro da névoa fria, o vento gélido tocando o rosto é perfeito. Respirar o ar gelado, observar o orvalho nos carros, nas árvores e nas plantas dos vizinhos, não se preocupar com a claridade ofensiva que o sol geralmente nos oferece é uma dor de cabeça a menos. Nada de óculos escuros, podemos enxergar os olhos de todos. 
 No tempo frio, temos mais amor ao edredom, temos mais amor ao café, ao chá, a cama. Sentimos o calor das pessoas que se aproximam e o vapor sai da boca ao falarmos, os dedos gelados ficam mais quietos, as pessoas agem menos pensam mais.
Blusas de frio, o tempo frio parece vestir as pessoas e despir a alma, talvez pela ausência de lentes escuras nas janelas da alma, talvez ante ao instinto de sobrevivência. A segurança de um ambiente quente e confortável  transpõe o instinto de vida, nos elevando ao instinto de procriação,  que aquece internamente gera mais libido. As pessoas ficam mais excitante, excitadas e inspiradas. Os casais se amam e não desgrudam. Aquele frio interno, vontade de não levantar da cama, de visitar mais vezes uma livraria, tomar um café forte e ler outro bom livro. Tempo frio é o tempo de escrever poemas, rabiscar os guardanapos da mesa quente de madeira enquanto o vapor sai da xícara, um tempo bom, que realmente inspira.

 Finais de semanas preguiçosos, dormir até mais tarde, acordar com claridade suave na janela, são dias em que faz mais sentindo, digitar coisas avulsas no Word, enquanto a claridade do monitor te faz pensar em outras coisas, como em tomar um chá, conversar com alguém digitando com dedos doloridos e gelados pelo simples papo que te faz sorrir, que te faz bem. Tempo de sair na rua e ver pessoas caminhando com agasalhos e rostos vermelhos, suspirando sussurros, reclamando como sempre fazem e te fazendo pensar no quanto isso é normal...


 - Alesson Lasombra -